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Bebês gostam de ouvir histórias

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O bebê tem necessidade de leite, de carinhos e de histórias… colocar livros e histórias poéticas à disposição das crianças em lugares inesperados, faz com que até as pessoas mais sérias se encantem com o interesse delas. Este é o caminho mais seguro para que um dia elas compreendam o mundo e tenham o desejo de transforma-lo.”

–René Diatkine. Pedopsiquiatra e Psicanalista fundador da Associação A.C.C.E.S. – Actions Culturelles Contre Les Exclusions et les Segregations fundada em 1982, em Paris, França.

Eu acompanhei pela internet, via Skype, os nove meses de gestação da minha neta Catarina, nascida em 4 de outubro de 2013, em Miami, na Flórida – EUA. Criei inclusive um website sob o domínio “www.catarina.net.br” e junto com minha filha passamos a registrar os principais momentos de sua gravidez. No mesmo dia 4 voamos para Miami e no dia 5 pela manhã eu e a vovó Luciane já estávamos com ela no colo. Seguiu-se a partir daí uma sequência muito próxima de reencontros, no Brasil e nos EUA, culminando com a nossa decisão, no segundo semestre de 2019, de vir morar nos Estados Unidos da América para ficar o mais perto possível dela e assim acompanhar sua infância.

Desses muitos e prolongados encontros, pude observar e me deliciar com a rotina que se impunha a partir das 19 horas. A luz da casa ficava mais tênue, o banho, vestir o pijama, jantar, escovar os dentes e levá-la para dormir, não sem antes escolher um livro para ler para ela. A partir dos três anos, ela já escolhia o livro que queria que fosse lido naquela noite. Ao terminar a leitura, sabíamos o que viria… Um breve silêncio, um cândido olhar e o: “dinovo!”. Confesso que eu adorava aquilo, mas a Karol e o Thomas davam um jeito de deixar que a cena se repetisse apenas mais uma vez e depois encontravam um jeito sútil de nos avisar que estávamos nos passando.

Naqueles momentos, na condição de pais e avós, interpretávamos aquilo como uma chantagem emocional para prolongar a nossa presença ao seu lado e assim atrasar o máximo a chegada do sono. Mas toda criança precisa dormir no mínimo de 10 a 14 horas antes de completar os cinco anos de idade. Uma rotina que precisa ser praticada para manter a saúde.

(…) Ao sair para um passeio, com um menino que nunca saíra antes do hospital, este olhou para o céu, apontou uma nuvem e perguntou: – Quem desenhou?

Hoje, na condição de aprendiz de escritor de livro infantil, sou levado a considerar que o “dinovo” pode também estar relacionado ao prazer pela estória narrada e pelas ilustrações.

Ao ler o belíssimo artigo da Patrícia Pereira Leite, no website da Revista Emília, sob o título: Ler histórias para os bebês?, publicado em 4 de novembro de 2014, e ainda disponível nesta data, pude compreender mais e melhor porque aquelas noites de observação ou de coadjuvante foram tão significantes para ela e para nós.

E o significado maior está implícito nesta narrativa da Patrícia: “(…) Ao sair para um passeio, com um menino que nunca saíra antes do hospital, este olhou para o céu, apontou uma nuvem e perguntou: – Quem desenhou? Vemos como, para esta criança, várias coisas e situações do mundo tinham sido introduzidas a partir dos livros e das leituras que esta equipe fez para ele.

A Patrícia estudou com René Diatkne, psicanalista francês, cujo texto abre este artigo, e é Psicóloga clínica e psicanalista. Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise; Mestre em Psicologia Clínica e Psicopatologia pela Universidade de Paris V e especialista em Técnicas de Saúde Mental pela Universidade de Paris XIII. Membro fundador de A Cor da Letra Centro de Estudos em Leitura, Literatura e Juventude. Presidente e Coordenadora de Projetos sociais em Ação Cultural do Instituto A Cor da Letra. Olha o que ela nos ensina: “Os bebês tem direito à leitura, à cultura, a ter uma história e a ouvir muitas histórias, brincando com as palavras e com a linguagem. Eles necessitam de sonhos e da possibilidade de descobrir o mundo em que vivem com tempo e calma! Por isto é importante criar espaços para a leitura onde os bebês vivem: nas creches, nas brinquedotecas, nos hospitais e em casa.”

Leia para uma criança! Muda o mundo dela e também o nosso.

Para saber mais:

Dicas de como ler livros para bebês” | Fafá
Este vídeo mostra de forma sensível como os bebês gostam de histórias. E preste atenção nas dicas da profissional da palavra.

Quarentena com caqui
A Editora Caqui organizou de forma colaborativa uma sessão para disponibilizar materiais gratuitos para download e dicas incríveis pra ajudar as famílias a passarem por essa fase de isolamento social com tranquilidade e responsabilidade.


3 COMMENTS

  1. Ler para uma criança, nos transporta para um mundo mágico e conseguimos viajar na história com elas. Acho o máximo o jeito como a Catarina se encanta com os livros. Desejaria que todas as crianças pudessem ter essa experiência.

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